sábado, 31 de dezembro de 2011

FELIZ "OLHAR NOVO"!


O grande barato da vida é olhar para trás e sentir orgulho da sua história.
O grande lance é viver cada momento como se a receita da felicidade fosse o AQUI e o AGORA.
Claro que a vida prega peças.
É lógico que, por vezes, o pneu fura, chove demais...
Mas, pensa só: tem graça viver sem rir de gargalhar pelo menos uma vez ao dia?
Tem sentido ficar chateado durante o dia todo por causa de uma discussão na ida pro trabalho?
Quero viver bem.
O ano que passou foi um ano cheio. Foi cheio de coisas boas e realizações, mas também cheio de problemas e desilusões.
Normal!
Às vezes se espera demais das pessoas.
Normal.
A grana que não veio, o amigo que decepcionou, o amor que machucou.
Normal.
Este ano não vai ser diferente.
Muda o século, o milênio muda, mas o homem é cheio de imperfeições, a natureza tem a sua personalidade que nem sempre a gente deseja, mas e daí?
Fazer o que?
Acabar com seu dia? 
Com seu bom humor? 
Com sua esperança? 
O que eu desejo para todos nós é sabedoria!
E que todos saibamos transformar tudo em uma boa experiência!
Que todos consigamos perdoar o desconhecido, o mal educado.
Ele passou na sua vida. 
Não pode ser responsável por um dia ruim...
Entender o amigo que não merece nossa melhor parte. 
Se ele decepcionou, passe-o para a categoria três, a dos amigos...
Ou mude de classe, transforme-o em colega.
Além do mais, a gente, provavelmente, também já decepcionou alguém.
O nosso desejo não se realizou? Beleza, não tava na hora, não deveria ser a melhor coisa para esse momento.
(Me lembro sempre de um lance que eu adoro) 
CUIDADO COM SEUS DESEJOS,ELES PODEM SE TORNAR REALIDADE!
Chorar de dor, de solidão, de tristeza faz parte do ser humano.
Não adianta lutar contra isso.
Mas se a gente se entende e permite olhar o outro e o mundo com generosidade, as coisas ficam diferentes.
Desejo para todo mundo esse olhar especial.
Este ano pode ser um ano especial, muito legal, se entendermos nossas fragilidades e egoísmos e dermos a volta nisso.
Somos fracos, mas podemos melhorar.
Somos egoístas, mas podemos entender o outro.
Este ano pode ser o máximo, maravilhoso, lindo, espetacular...
Pode ser puro orgulho!
Depende de mim, de você!
Pode ser.
E que seja!
FELIZ OLHAR NOVO!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

TÔ DODÓI...


Desculpem meus amigos que me acompanham no Blog, mas neste final de semana não passei muito bem, espero que entendam! Assim que me recuperar totalmente estarei de volta com belas mensagens à todos vocês. Grande abraço!


FELIZ ANO NOVO!!!
Mancha Negra.

sábado, 24 de dezembro de 2011

UMA HISTÓRIA DE NATAL



Era uma vez uma família composta pelos pais, e mais seis (06) filhos todos meninos homem.
E em todos os natais era sempre a mesma coisa, na véspera do Natal, pai e filhos se uniam para construir um presépio. Isso começou antes do primeiro filho nascer e na seqüência dos próximos natais naturalmente que sempre tinha mais um para ajudar, pois o casal tinha um filho a cada ano e uns meses, e como certo, tinha mais um também para ajudar. E a cada ano o presépio ia ganhando mais vida, ficando cada vez maior e mais bonito ate ocupar toda uma sala da humilde casa do seu Zé, e ganhando a simpatia dos moradores da pequena cidade do interior de Minas. No presépio tinha personagens que representava a gruta do Menino Jesus, Nossa Senhora, São José, os pastores, os anjos, o burrinho a vaquinha, enfim todos os personagens incluindo pastores pelo campo com suas ovelhas, fazendas toda cercada com bastante criação e plantação, a cidade de onde partiram os três Reis magos, tudo iluminado com algumas peças que se moviam com a eletricidade, isso já ocorreu no ano do sexto ajudante já estar em cena. O presépio chamou a atenção dos moradores da cidade e visitantes de fora também vinha ver a beleza de presépio. Mas o presépio só era construído na véspera do Natal e desmanchado no dia sete de janeiro depois da chegada dos três Reis na gruta do Menino Jesus. Então depois, com toda família reunida, e os que estivesse presente faziam uma oração ai desmanchava outra vez o presépio e guardava em caixas com todo o cuidado para o outro ano.
Pois bem, o mês de dezembro chegou e os meninos já ajudavam na preparação do presépio, na construção de miniaturas de casas com barro de olaria, e que era copia da pequena cidade de onde moravam. Cada casa tinha um dono, casa o Zé Serafim, casa do João Lino loja do Seu Lazaro, a praça, o coreto, a igreja, etc., todos iguais aos dos proprietários, e finalmente o dia do Natal. 
Depois de tudo pronto, vinha a parte mais importante da história que era o dar da meia noite, hora que o menino Jesus nasceu. 
Mas todos na Igreja assistindo a missa do galo, e quando terminava a missa todos iam apressados para casa para ver os presentes que o Papai Noel tinha deixado em cada par de sapato de cada um que ficou no chão junto do presépio. Era a alegria de todos, o mais velho estava com 11 anos e sem exceção todos acreditavam no Papai Noel. Era uma alegria só, o presente era uma garrafa de guaraná e uma nota de dois mil reis que era até um dinheiro razoável, mas nessa época ainda não existia brinquedos para comprar a não ser de barro e de madeira e isso os meninos mesmo faziam. 
Mas o Espírito de Natal esse ano, veio com outra proposta para o Papai Noel, um dos meninos, o segundo, formou um labirinto debaixo do presépio com os punhados de mesas e armação de madeira e fez um esconderijo para ele. Chegou até a puxar um rabicho de eletricidade e ter luz na sua caverna. Então, depois que pegar o seu presente em vez de ir para a cama dormir, entrou debaixo do presépio e foi lá na sua toca.
E foi que fez um estranho pedido para o Papai Noel, e que era para não esquecer de jeito nenhum. 
Pediu para o Papai Noel que seu próximo irmão nascesse mulher porque sua mãe estava dizendo que a cegonha iria trazer seu próximo irmão no final de março daqui a três meses, e que também era por causa dos outros meninos dizerem que na minha casa iria nascer um lobisomem por ser o sétimo irmão homem. 
E não é que o Papai Noel atendeu...? 
No dia dois de abril nasceu sua irmãzinha, a primeira, pois papai Noel Ficou tão emocionado que resolveu dar mais duas irmãzinhas para os meninos. Conclusão, foram nove filhos que o seu Zé teve com dona Geny, seis homens e três mulheres, criaram todos na mais perfeita união, hoje todos velhinhos mas felizes, principalmente no Natal que se reúnem todos e mantém a tradição de festejar a chegada do menino Jesus e a distribuição dos presentes, o Natal é do mundo inteiro e a festa é uma só, é comemorar o nascimento daquele que veio para pregar o amor na humanidade.
Que o Espírito do Natal esteja em todos os lares,


FELIZ NATAL  A TODOS

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

NO REINO DAS BORBOLETAS


À beira de um charco, formosa borboleta, fulgurando ao crepúsculo, pousou sobre um ninho de larvas e falou para as pequenas lagartas, confusas:
- Não temam! Sou sua irmã de raça! Venho para lhes trazer esperança. Nem sempre permanecerão coladas às ervas do pântano! Tenham calma, fortaleza e paciência. Esforcem-se para não sucumbir aos golpes da ventania que, de quando em quando, varre a paisagem. Esperem! Depois do sono que as aguarda, todas acordarão com asas de puro veludo, refletindo o esplendor solar... 


Então, não mais se arrastarão, presas ao solo úmido e triste. Adquirirão preciosa visão da vida, pois poderão subir muito alto e seu alimento será o néctar das flores... Viajarão deslumbradas, contemplando o mundo, sob novo prisma! Observarão o sapo que nos persegue, castigado pela serpente que o destrói, e verão a serpente que fascina o sapo, fustigada pelas armas do homem.


Enquanto a mensageira fez ligeira pausa, ouviam-se exclamações admiradas:
- Ah, não posso crer no que vejo!
- Que misteriosa criatura!
- Será uma fada milagrosa?
- Nada possui de comum conosco...


Irradiando o suave aroma do jardim de onde viera, a linda visitante sorriu e continuou.
- Não se iludam! Não sou uma fada celeste! Minhas asas são parte integrante da nova forma que a natureza lhes reserva. Ontem, eu vivia com vocês; amanhã viverão comigo! Flutuarão no imenso espaço, em vôos sublimes em plena luz. Libertas do lodaçal, se elevarão felizes. Conhecerão a beleza das copas floridas e o saboroso néctar das pétalas perfumadas. Contemplarão a altura e a amplitude do firmamento...


Logo após, lançando carinhoso olhar à família alvoroçada, distendeu as asas coloridas e, voando com graciosidade, desapareceu no infinito azul.


Nisso chegou ao ninho a lagarta mais velha do grupo, que estava ausente, e, ouvindo os comentários empolgados das companheiras mais jovens, ordenou irritada:
- Calem-se e escutem! Tudo isso é insensatez, mentiras, divagações... Não nos iludamos! Nunca teremos asas! Ninguém deve filosofar... Somos lagartas, nada mais que lagartas. Sejamos práticas, no imediatismo da própria vida. Esqueçam-se de pretensos seres alados que não existem. Precisamos simplesmente comer e comer... Depois vem o sono, a morte... E o nada... Nada mais...


As lagartas calaram-se, desencantadas. Caiu a noite e, em meio à sombra, a lagarta-chefe adormeceu, sem despertar no outro dia. Estava completamente imóvel. As irmãs, preocupadas, observavam, curiosas, o fenômeno... Depois de algum tempo, para espanto de todas, a ignorante e descrente orientadora surgiu como veludosa borboleta, de asas leves e ligeiras, a bailar no ar...

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

MENSAGEM DE FÉ E RELIGIOSIDADE PARA O NATAL


Meus queridos amigos, mais um ano se passou,


já está chegando o Natal.


O tempo passa e o Natal chega, o Natal chega e o tempo passa novamente. Muitos não se alegram, outros radiantes não vêem a hora de chegar este dia, na maioria das vezes isto acontece com as crianças, pois esperam ansiosamente seu presente de Natal. Já os adultos, enxergam esta data como um dia triste, pois sentem saudades dos entes queridos que já se foram.


Afinal, como devemos ver o Natal?


O Natal significa alegria, pois é neste dia que comemoramos o nascimento de Cristo.


O Natal é paz e união, pois neste dia reunimos nossos parentes e participamos juntos da ceia.


O Natal é fé e também esperança, esperança do nascimento de dias melhores.


O Natal é brilho, luzes piscando, emoção, amor, carinho e afeto ...


Mas, no Natal não existe magia como muitos acreditam: Um papai Noel de vestes vermelhas que vem em uma Rena voando pelos céus, trazendo brinquedos, presentes e objetos maravilhosos que podem alegrar nosso coração.


Nós sabemos muito bem que no dia de Natal, não chega papai Noel com presentes.


Muitos não tem peru assado na mesa do jantar, muitos tem frango assado.


Muitos não tem frango assado, muitos tem arroz com feijão.


Muitos não tem arroz com feijão.


Muitos não tem mesa. Muitos não tem teto.


Muitos não tem se quer, uma fatia de pão para comer.


Esta é uma realidade da vida. Não podemos fugir. Uma pessoa está sozinha na Cobertura do Copacabana Palace para brindar com Champanhe importada na hora da ceia com um garçom, porque não tem amigos, não tem parentes. Muitos estão juntos em uma casa simples, porém sem ânimo para comemorações, pois sentem a falta de uma mesa com alimentos e frutas. Alguns preferem passar a meia noite de chegada do Natal dormindo, para não sentir tristeza no coração devido a falta de alguém.


Agora eu te digo uma coisa, você já parou para pensar que o Natal existe para alegrar o nosso coração não para entristecer. O Natal existe para que agente possa a cada ano lembrar do nascimento de Cristo. Quando nós aprendermos que devemos colocar Cristo em primeiro lugar na nossa vida. Tudo se irá bem. Pois neste Natal, você que passa sempre triste por um motivo ou outro, faça uma experiência:


Coloque Jesus como aniversariante, Jesus não vai te cobrar um Peru no jantar, pois Jesus veio para matar a sua fome. Jesus não vai te exigir alegria caso você esteja triste, pois Jesus veio para te consolar. Jesus não vai te culpar por você não ter dinheiro, Jesus veio dividir o pão com você. Jesus não vai te cobrar presente, pois Ele deu a própria vida para te salvar. Mas, se mesmo assim, o teu coração ainda estiver apertado nesta noite de Natal, ore a Deus, diga a Deus o motivo de sua tristeza. Cante um cântico espontâneo. Louve ao Senhor e tente acreditar no amor de Cristo por ti.


Assim está escrito:


"Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar e tempo de curar; tempo de derrubar e tempo de edificar; tempo de chorar e tempo de rir; tempo de plantar e tempo de dançar; tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar e tempo de afastar-se de abraçar; tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de lançar fora; tempo de rasgar e tempo de coser; tempo de estar calado e tempo de falar; tempo de amar e tempo de odiar; tempo de guerra e tempo de paz. Que proveito tem o trabalhador naquilo em que trabalha? Tendo em vista o trabalho que Deus deu aos filhos dos homens, para com eles os exercitar. Tudo fez formoso em seu tempo; também pôs o mundo no coração do homem, sem que este possa descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até o fim. ( Eclesiastes 3:1ao11)


Neste Natal talvez você que chora pode sorrir para um amigo. Neste Natal talvez você que sorri, pode abraçar seu amigo que chora. Neste Natal você que tem condições de comer Peru, talvez possa doar um frango para aquele que tem fome. Neste Natal você que tem vida, ainda tem tempo de dar amor para aquele que perdeu o ânimo pela vida. Neste Natal você ainda tem tempo de fazer diferente o Natal de todos que sentem falta de alguma coisa com uma simples frase:


Eu te amo meu amigo ou Eu te amo minha amiga.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

MAIS IMPORTANTE QUE PRESENTES


Um homem veio do estrangeiro para trabalhar deixando sua noiva chorando.
- Não se preocupe, eu lhe escreverei diariamente, ele disse.


Por anos ele a escreveu. Mas como ele estava indo muito bem em seu trabalho, não tinha nenhum plano imediato de voltar. Um dia, ele recebeu um convite de casamento. Sua namorada estava de casamento marcado. Com quem? Com o carteiro que regularmente entregava as cartas de seu namorado! De fato, a distância faz os corações patinarem.


O pobre namorado certamente se perguntou,
- O que aconteceu de errado? Eu a enviei cartas, bombons e flores.
Quando relacionamentos acabam, lista de coisas dadas e feitas normalmente aparecem. Nós dizemos,
- Eu lhe dei isto e aquilo... Eu fiz aquelas coisas todas por você...


Até parece que o amor é simplesmente provado pela doação de presentes e favores. Mas enquanto presentes são importantes, o amor clama pelo que é básico: a presença do amado. Eu observei por exemplo, as orquídeas de minha mãe. Quando ela fica fora por muito tempo, elas parecem doentes e muitas delas murcham. Mas quando ela esta por perto, brilham com belas flores. Minha mãe nada faz de excepcional. Ela apenas passa muito tempo conversando e as acariciando.


Eu acho que as pessoas, ainda mais que as flores, exigem uma presença atenciosa. O amor é fundamentalmente um comprometimento com outra pessoa. Nós podemos estar comprometidos com nossos negócios, trabalho, hobby, esportes e clubes, mas no sentido exato, eles não podem nos dar amor de volta. E já que as pessoas precisam de afeto e atenção, as coisas materiais podem ajudar apenas até um certo ponto. Mas nunca poderão substituir o presente maior que é a presença.


Marta estava ocupada com seu trabalho. Ela acreditava que tinha que trabalhar muito porque seu amado pai estava muito doente. Ela tinha que prover recursos para o seu caro tratamento. Seus irmãos e irmãs, enquanto isso, ficavam ao lado de seu pai a maior parte do tempo. Eles davam-lhe o banho, cantavam para ele, davam-lhe a refeição ou simplesmente faziam companhia.


Um dia Marta se entristeceu. Ela escutou seu pai dizer a sua mãe,
- Todas as nossas crianças me amam, exceto Marta.
- Como podia ser? Marta pensou. - Eu me mato em meu trabalho para ter dinheiro para seu tratamento! Meus irmãos e irmãs não ajudam em nenhuma parte das despesas.


Uma noite, como quase sempre, Marta chegou tarde em casa. Ela espiou pela porta do quarto onde seu pai estava deitado e notou que ele ainda estava acordado. Ela decidiu se aproximar e sentar ao lado da cama. Seu pai segurou suas mãos e disse,
- Eu sinto sua falta. Eu não tenho muito tempo mais. Fique comigo.
E ela ficou com seu pai, segurando sua mão a noite inteira.
Na manhã seguinte, Marta disse para todo mundo,
- Eu tirei uma licença no trabalho. Eu gostaria de ficar com meu pai. De agora em diante, eu lhe darei o banho e cantarei para ele.


Seu pai abriu um bonito sorriso. Ele sabia, desta vez, que Marta o amava.
Quando crianças, nós precisamos da presença de nossos entes queridos. Como adultos as pessoas não precisam menos.


sábado, 17 de dezembro de 2011

A COBRA


Caminhando por uma estrada de terra batida, no meio da mata, Lúcia ia tranqüila.
Morava num sítio das redondezas e dirigia-se à escola, distante uns quinhentos metros de sua casa.


De súbito, dentre a vegetação, surgiu, se arrastando, enorme e ameaçadora cobra. Colocando-se no meio do caminho, ela armou o bote e ficou esperando.
A princípio, assustada, a menina parou. Pensou em voltar. Naquele momento, porém, lembrou-se de tudo o que já aprendera. Sua mãe sempre lhe dizia que tudo na Natureza é criação de Deus, e que devemos respeitar qualquer forma de vida, fosse humana, animal ou vegetal.


Assim, enchendo-se de coragem, tendo o cuidado de manter uma boa distância, dirigiu-se ao réptil dizendo:
- Minha amiga Dona Cobra. Nada tenho contra a senhora. Ao contrário, somos todos irmãos, porque filhos de um mesmo Pai, que é Deus. Estou indo para a escola e preciso passar por este lugar, que a senhora está ocupando. Assim, se fizer gentileza de deixar-me passar, eu lhe ficarei muito grata.


A voz da menina, serena e doce, aquietou o animal, que a contemplava com seus olhinhos miúdos. Depois, parecendo compreender o que lhe foi dito, coleou pela terra lentamente, desaparecendo no meio do mato.


Lúcia, grata a Deus pela proteção que lhe dera, continuou seu trajeto até a escola.
Durante horas, ali permaneceu entregue às atividades escolares, esquecendo-se do incidente.


Mais tarde, quase no horário de tocar o sinal para a saída, chegou alguém. Era um homem que tinha socorrido um menino. Ainda assustado, contou ele:
- Eu vinha a cavalo pela estradinha, quando vi um moleque ao longe, na minha frente. Ele tinha um pau na mão, e brincava, batendo nas árvores à beira do caminho, assustando os passarinhos e afugentando os pequenos animais. Percebi quando uma enorme cobra surgiu à sua frente. Quis avisá-lo do perigo, gritar para que ficasse quieto, sem fazer movimentos bruscos, mas não deu tempo. O menino, ágil, levantou o porrete, tentando esmagar a cobra. Ela, porém, foi mais rápida e, dando um bote certeiro, picou-o.
- E o garoto, como está? - perguntou a professora, aflita.
- Felizmente, foi socorrido há tempo. Encontra-se no hospital da cidade, sob cuidados médicos. Como ele estivesse com uma mochila escolar, pelo horário, cheguei à conclusão de que era um aluno que tinha "matado" a aula, e a trouxe para a senhora. Aqui está ela! - disse ele, entregando a mochila à professora.
- É do Roberto! Bem que estranhei ele não ter comparecido hoje à escola! Muito obrigada, senhor. E os pais dele, já foram informados?
- Exatamente por isso vim aqui. Não sei onde ele mora. Se me disser o endereço do garoto, irei avisar à família dele.


A professora explicou onde Roberto morava, e o bom homem despediu-se, apressado. Após a saída dele, Lúcia comentou:
- Deve ser a mesma cobra que encontrei hoje cedo na estrada!
- É verdade? Você viu uma cobra? Conte-nos! Como foi isso? - quis saber a professora.


E Lúcia, diante da classe que a ouvia com atenção, relatou o que tinha acontecido com ela, como se portou diante do perigo e como a cobra se afastou, sem molestá-la.
O silêncio se fez na sala. Todos estavam perplexos e pensativos. 
Ficou muito claro como o comportamento de cada um determinara uma reação diferente no animal. O respeito de Lúcia e a agressão de Roberto geraram conseqüências diversas.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

A ROSEIRINHA TORTA


Era uma vez um homem que possuía um grande jardim, onde foram cultivadas as mais variadas flores. Perto desse jardim morava um menino que amava muito as plantas. Muitas vezes ele abandonava os brinquedos e encostava o rosto na cerca para olhar o jardim e admirar o colorido das flores. O garoto também tinha o seu canteirinho na frente da casa. Possuía uma pá, um regador mas não tinha ainda nenhuma muda de flor para plantar.


O dono desse grande jardim é muito estranho - pensou o menino. Ele não tem o menor cuidado com as suas plantas. Não limpa os canteiros, não afofa a terra e nem a rega com freqüência.


Um dia, quando o homem visitava o seu jardim, parou em frente a uma pequena roseira torta com apenas umas poucas folhinhas verdes. Chamando o empregado, disse-lhe:
- Arranque esta roseirinha. Ela nunca produzirá flores. Atire-a para fora da cerca.


E o empregado fez exatamente como ele mandou. Naquele dia, quando o garoto voltava da escola, viu a roseirinha arrancada na beira da cerca e monologou:
- Pobre roseirinha! Como ele teve coragem de arrancá-la... Aí onde a jogaram, você nunca dará rosas. Vou colocá-la no meu canteiro e cuidar de você.


Chegando em casa, trocou a roupa e, juntando a pá e o regador com água, cavou bem no centro do seu canteirinho, revirou a terra e ali depositou a roseirinha torta, deixando-a na melhor posição possível. Não se descuidou da planta. O calor do sol a aquecia, ele a regava e algumas vezes a chuva a refrescava. Um dia, ele reparou que nela surgia um botãozinho verde. 


A mãe lhe explicou que dali certamente sairia uma bonita rosa. De fato, na semana seguinte ele olhou da janela e, radiante, chamou sua mãe. Nem podia esperar se vestir... Desabrochava uma linda rosa branca da roseirinha torta.


Cada pessoa que por ali passava, naquele dia, parava para admirar a pequena roseira com a sua única rosa branca. À tardinha, o garoto ouviu uma voz do outro lado da cerca. Era o dono do grande jardim que dizia:
- Que rosa lindíssima tem aí no seu canteirinho, meu filho. É mais rara e mais bonita do que qualquer uma das minhas. Como foi que você a conseguiu?


- O senhor não se lembra daquela roseirinha torta que mandou arrancar e jogar fora? Pois é ela. Eu a apanhei murcha, ressecada e a plantei. Colaborei com o Pai do céu no cuidado com a planta e ela cresceu e produziu já esta bonita rosa - respondeu o menino.


O dono do grande jardim compreendeu a lição e saiu repetindo para si mesmo a expressão do menino:
- Colaborei com o Pai do céu no cuidado com a planta e ela cresceu...

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

PASSAGEM GRÁTIS PARA O CÉU


- Hoje é um dia muito especial para mim, disse um velhinho no parque. Hoje é o dia em que ela partiu.


Estava no Hyde Park em Londres com uma máquina fotográfica na mão, tentando encontrar o melhor ângulo para a minha foto de primavera, quando um velhinho veio conversar comigo. Não estava muito interessado em conversar com ninguém ou dar corda para papo, mas havia algo naquele homem. Uma estranha força no olhar e um sorriso incrível que transmitia tanta paz, que era impossível não lhe dar atenção.


- Sabe, sempre vínhamos aqui. Ela adorava deitar na grama e ler poemas pra mim.
- Ela não vive mais aqui? perguntei, já sabendo a resposta.


- Hoje faz dois anos que ela foi pro "lado de lá" e desde então, uma vez por ano eu venho a esse parque, deito na grama e leio poemas para os passarinhos. Nada mais justo, uma vez que ela fazia com que eu voasse ao som da sua voz, quando recitava as suas poesias. Quando nos encontramos não foi amor à primeira vista, pouco a pouco é que fomos notando um no outro aquela sensação familiar de se sentir em casa ao lado de alguém.


- Algum tempo depois, ela virou minha namorada, minha esposa, minha amiga. Todos diziam que não duraríamos muito, pois éramos bem diferentes um do outro, mas fomos além do que os outros pensavam. E toda vez que estávamos juntos era como se a terra e a água se encontrassem, formando o barro que era nosso alicerce. Você provavelmente chamaria esse sentimento de amor, mas nós o chamávamos de "experimentar e compartilhar". Experimentando, seguimos crescendo e rindo de tudo e de todos, aproveitando cada segundo dessa brincadeira maravilhosa que é viver. Ela dizia que a terra era o nosso playground se soubéssemos manter viva a criança que fomos um dia, em nosso coração.


- Se temia perdê-la um dia? Claro, mas sempre evitei pensar nisso, ainda mais quando ela ficou doente. Ela lutou até o ultimo sopro de vida, até que um dia disse que já era hora de parar de ser teimosa e aceitar a passagem grátis para as estrelas. Ela brincava com tudo, por isso é que não caí num buraco quando ela partiu.


- A morte veio buscar apenas seu corpo físico, pois o que sentimos um pelo outro é eterno e eu carrego esse sentimento comigo onde quer que eu vá. Esse sentimento é que me dá forças e toda vez que a saudade fica insuportável, eu fecho os olhos e em algum lugar do meu coração, eu vejo o sorriso dela e não dá para chorar, nem para lamentar. Assim vou seguindo. Tenho certeza que ela odiaria se eu virasse um chorão e não sei não, mas eu acho que ela sente tudo o que eu sinto no lugar onde está, e não quero que ela fique triste, portanto tento sempre sorrir e fazer algo, sem dar mole para o baixo astral e para a tristeza.


- Às vezes, sonho com ela e toda vez é tão real, que juro que estávamos realmente juntos. Ela diz que está muito orgulhosa de como eu estou reagindo. Você acredita nisso, menino?


- Bom, vai ver Deus permite que ela venha me ver enquanto eu durmo, e se isso for verdade, eu não quero desapontá-la e sei que é só uma questão de tempo para que estejamos juntos novamente. Até lá, sigo sorrindo, lendo poemas para os passarinhos e agradecendo a Deus apenas pela oportunidade de ter sentido o que senti ao seu lado.


- Hoje é um dia muito especial pra mim. É o dia em que ela partiu. E quando ela se foi, não deixou nenhum vácuo ou espaço vazio, pelo contrário, ela deixou vida demais no meu peito para eu desistir de viver

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

VOCÊ É DEUS?


Narra Charles Swindoll que, logo depois do término da segunda guerra mundial, a Europa começou a ajuntar os cacos que restaram.
Grande parte da Inglaterra estava destruída. As ruínas estavam por todo lugar. E, possivelmente, o lado mais triste da guerra tenha sido assistir as criancinhas órfãs morrendo de fome, nas ruas das cidades devastadas.


Certa manhã de muito frio, na capital londrina, um soldado americano estava retornando ao acampamento. Numa esquina, ele viu, do seu jipe, um menino com o nariz pressionado contra o vidro de uma confeitaria.
Parou o veículo, desceu e se aproximou do garoto. Lá dentro, o confeiteiro sovava a massa para uma fornada de rosquinhas.


Os olhos arregalados do menino falava da fome que lhe devorava as entranhas. Ele observava todos os movimentos do confeiteiro, sem perder nenhum.
Através do vidro embaçado pela fumaça, o soldado viu as rosquinhas quentes, e de dar água na boca, sendo retiradas do forno. Logo mais, o confeiteiro as colocou no balcão de vidro com todo o cuidado.


O soldado ouviu o gemido do menino e percebeu como ele salivava. Em pé, ao lado dele, comoveu-se diante daquele órfão desconhecido.
- Filho, você gostaria de comer algumas rosquinhas?


O menino se assustou. Nem percebera a presença do homem a observá-lo, tão absorto estava na sua contemplação.
- Sim," respondeu. Eu gostaria.


O soldado entrou na confeitaria e comprou uma dúzia de rosquinhas. Colocou-as dentro de um saco de papel e se dirigiu ao local onde o menino se encontrava, na gélida e nevoenta manhã de Londres.
Sorriu e lhe entregou as rosquinhas, dizendo de forma descontraída:
- Aqui estão as rosquinhas.


Virou-se para se afastar. Entretanto, sentiu um puxão em sua farda. Olhou para trás e ouviu o menino perguntar, baixinho:
- Moço...você é Deus?
Existem gestos pequenos, mas que significam muito para algumas vidas.


Para uma criança faminta, um pedaço de pão é a glória. Para uma criança faminta e desejosa de doces, conseguir ter alguns para saciar sua vontade, é a suprema delícia.


Aprendamos a observar o de que necessitam as pessoas, ao nosso redor. Quase sempre são coisas pequenas que podemos realizar, ocasionando pequenas ou grandes alegrias.
E sempre, em todas as ocasiões, a nossa atitude estará obedecendo, com certeza, ao desejo do Pai Criador na atenção aos seus filhos na Terra.


Pensemos nisso e não permitamos que as chances se percam, nas vielas do mundo.
Sejamos, neste planeta azul, as mãos de Deus atendendo os seus filhos. E, para isso, não se fazem necessários feitos extraordinários, nem saciar a fome de todos.
Por vezes, basta alimentar uma criança ou satisfazer a enorme necessidade de alguém de comer um prato bem feito, um pãozinho bem quente ou tomar um copo de leite.

DONA DE CASA


Uma mulher chamada Anne foi renovar a sua carteira de motorista e pediram-lhe para informar qual era a sua profissão.


Ela hesitou, sem saber bem como se classificar.


- O que eu pergunto é se tem um trabalho, insistiu a funcionária.
- Claro que tenho um trabalho. - Exclamou Anne. - Sou mãe.
- Nós não consideramos mãe um trabalho. Dona de casa sim, disse a funcionária friamente.


Não voltou a lembrar-se desta história até o dia em que se encontrou em situação idêntica. A pessoa que a atendeu era obviamente uma funcionária de carreira, segura, eficiente, dona de um título sonante, do gênero oficial inquiridor.
- Qual é a sua ocupação? Perguntou.
- Sou Pesquisadora Associada no Campo do Desenvolvimento Infantil e das Relações Humanas.


A funcionária fez uma pausa, e olhou-a como quem diz que não ouviu bem. Anne repetiu pausadamente, enfatizando as palavras mais significativas. Então reparou, maravilhada, como ela ia escrevendo, com tinta preta, no questionário oficial.
- Posso perguntar, disse-lhe ela com novo interesse, - o que faz exatamente nesse campo?


Calmamente, sem qualquer traço de agitação na voz, respondeu:
- Tenho um programa permanente de pesquisa, em laboratório e no terreno. Trabalho para os meus Mestres, e já passei quatro provas. Claro que o trabalho é um dos mais exigentes da área das humanidades e freqüentemente trabalho 14 horas por dia.


Houve um crescente tom de respeito na voz da funcionária que acabou de preencher o formulário, se levantou, e pessoalmente lhe abriu a porta.


Quando chegou em casa, com o troféu da sua nova carreira erguido, foi cumprimentada pelas suas assistentes de laboratório de 13, 7 e 3 anos. Do andar de cima, pode ouvir a sua nova modelo experimental, uma bebê de seis meses, do programa de desenvolvimento infantil, testando uma nova tonalidade da voz.


Sentiu-se triunfante! Tinha conseguido derrotar a burocracia! E ficou no registro do Departamento Oficial como alguém mais diferenciada e indispensável à humanidade do que "uma simples mãe"!


Mãe - Pesquisadora Associada no Campo do Desenvolvimento Infantil e das Relações Humanas;
Avó: - Associada Sênior de Pesquisa no Terreno para o Desenvolvimento Infantil e de Relações Humanas;
Bisavó - Executivo-Associada Sênior de Pesquisa;
Tia - Assistente Associada de Pesquisa.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

NA ESTANTE


Quando Cátia chegou em casa depois da escola, ela deu um beijo em sua mãe, agarrou um biscoito e foi para o piano. A mãe sorriu quando Cátia começou a tocar sua música favorita. Cátia adorava música e tocar piano.


Quando Cátia parou de tocar, ela foi até a cozinha.
- A Lúcia convidou algumas de nós para jogar vídeo game hoje à noite. - ela disse - Eu posso ir?
- Acho que sim. - sua mãe concordou - A propósito, a Sra. Parker ligou hoje. Ela disse que gostaria que você tocasse na festa da escola de música, na semana que vem. Eu disse que lhe perguntaria, mas que eu estava certa de que você aceitaria.
- Ah, mãe! - Cátia exclamou com desânimo - Não quero fazer isto! Hoje à noite eu ligo e falo com ela.


Ela fechou a cara e saiu da cozinha antes que sua mãe pudesse protestar. A mãe suspirou. Apesar da habilidade e do amor de Cátia pela música, ela rejeitava qualquer proposta de tocar em público.
- Tocarei quando eu for mais velha. Era o que sempre dizia.


Quando Cátia voltou da casa da Lúcia naquela noite, ela parecia triste.
- Você não se divertiu? Sua mãe perguntou.
- Oh, sim. - Cátia murmurou - Mas sabe o que é? Nós estávamos no quarto da Lúcia e em cima da estante eu vi o colar eu dei para ela no seu aniversário. Ainda está na caixa! Quando eu dei a ela, ela disse que era bonito e que tinha gostado. Se ela realmente gostou, por que ela não usa? Eu gastei dois meses de mesada para pagar o colar que agora só fica guardado!


- Eu sinto muito. - a mãe respondeu simpaticamente - Talvez ela use mais tarde.
E, depois de uma ligeira pausa, adicionou,
- Cátia, você não estará tratando o presente que Deus lhe deu da mesma forma que a Lúcia está tratando o seu?
- Como assim? Cátia perguntou.


- Deus lhe deu o presente da música, inclusive a habilidade de tocar piano. Você gosta de tocar em casa, mas como a Lúcia, você parece pouco disposta a "tirar seu presente da estante" e usar em qualquer outro lugar.
Cátia ficou calada e pensativa por algum tempo. Finalmente admitiu,
- Acho que você está certa. Eu direi à Sra. Parker que aceito o convite.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A ROSA ENCANTADA


Toda a riqueza e o conforto de que dispunha não faziam daquela jovem princesa uma pessoa plenamente feliz. Faltava-lhe algo! Havia um imenso e angustiante vazio em sua vida. Aflita, a herdeira do trono mandou chamar um ancião, conhecido por sua sapiência. Confessou-lhe a sua inquietação e rogou-lhe ajuda.
O velho sábio, afagando os cabelos da jovem, sorriu e lhe falou:
- Está bem, alteza, daqui a três luas nascerá no jardim, ao amanhecer, a mais bela flor que os seus verdes olhos já viram... Será uma rosa encantada que trará em si a beleza, o perfume e o encantamento que lhe darão a alegria de que sentis tanta falta.


A jovem sorriu, agradecida. Mas o velho advertiu:
- Tende cuidado! A flor é sua e cabe-lhe o dever de cuidar dela... Caso contrário, perder-se-á a flor... Perder-se-á o encanto!
A jovem aguardava, ansiosa, o momento de conhecer a flor encantada... Todos os dias ela ia até o jardim, para ver se já não teria nascido a sua rosa... Entretanto, encontrava apenas as flores comuns.


Mas, na data prevista, aos primeiros raios do amanhecer, fez-se um burburinho no jardim, bem sob a janela da jovem princesa. Ela, irritada, levantou-se e foi à sacada para pedir silêncio. Mas, ao abrir a janela, viu, em meio à grama, o motivo do falatório: uma flor como jamais houvera antes naquelas paisagens! Era realmente uma flor sem igual! Não se assemelhava às outras, em nada: nem no tamanho, nem na cor, nem no aveludado de suas pétalas, nem em seu perfume...


A jovem vestiu-se às pressas e desceu as escadarias a passos rápidos. Atirou-se de joelhos na grama, maravilhada com a beleza da flor... Beijou-lhe as pétalas suavemente, inalou seu perfume inefável. Ordenou ao jardineiro que lhe desse tratamento especial: o melhor adubo, a água mais fresca.
Quase todo o reino foi chamado a conhecer a flor encantada, desde os súditos até sua majestade, o grande rei. Todos queriam ver a rosa de que se falavam tão grandes coisas.


Por isso, a jovem mandou chamar a guarda, para que houvesse sempre um soldado ao lado da flor, evitando que alguém a maltratasse ou roubasse. Mesmo assim, muitos curiosos se amontoavam em torno da flor, observando-a, inalando o seu perfume, apreciando a sua beleza.


Um dia, aborrecida com tantos visitantes, a princesa dispensou o soldado e aguardou o anoitecer. Quando a noite estendeu seu manto negro por sobre o castelo, ela voltou ao jardim e arrancou dali a sua rosa encantada. Levou-a para seu quarto, e plantou-a num vaso de ouro cravado de gemas de valor, trabalhado pelo mais competente ourives de todo o reino.
- Enfim - pensou a princesa, sorrindo - agora a rosa é só minha!


E passou
toda a madrugada acarinhando a flor. Não recebia criados, amigos, nem mesmo seus pais... Estava feliz! Finalmente, a rosa era sua!
Todavia, logo ao cair da tarde daquele dia a flor começou a apresentar mudanças... Seu perfume alterou-se. Sua cor escureceu. Suas pétalas enrugaram. Todas as tentativas para reavivá-la foram em vão. Na manhã seguinte, a rosa estava morta! Infeliz, a jovem princesa chorou, tardiamente arrependida.


Diante da flor amada, fonte de alegrias de nossas vidas, o ciúme é sempre mau companheiro.

sábado, 10 de dezembro de 2011

SERVA MORALISTA


Piedosa mulher, desejando ser mensageira do Reino Divino na Terra, bateu às portas do Paraíso, rogando trabalho.


Foi atendida, por um anjo que lhe recomendou visitasse uma Taberna para salvar homens bons, que se haviam deixado embriagar, por amigos inescrupulosos.


No dia seguinte, porém, a enviada reapareceu, chorosa, explicando ao anjo que lhe fora impossível atender-lhe as determinações, porque o recanto indicado era repleto de jogadores a trocarem insultos obscenos e cruéis.


O anjo, então, mandou-a a um esconderijo em floresta próxima, a fim de socorrer uma criança desamparada.
No outro dia, volta a emissária alegando que não lhe fora possível o trabalho, porque ali ocultavam-se vários homens e mulheres seminus a lhe ferirem o pudor feminino.


O anjo, sem desanimar, designou-a para auxiliar uma senhora agonizante, mas, poucas horas depois, volta a mulher ruborizada, ao ponto de origem, informando de que não pudera nem mesmo penetrar o quarto da enferma, porque ouvira o esposo da doente, conversando com certa mulher de baixa procedência, tramando um assassinato.


O anjo embora com algum desapontamento, determinou-lhe o auxílio a dois homens dementes situados em extenso vale.
No dia imediato, a mulher retorna célere, esclarecendo não conseguira alcançar o objetivo, porquanto os loucos viviam impressionados com cenas de vida impura, e lhe causaram repugnância.


O anjo, depois de ouvi-la com manifesta estranheza, pediu-lhe amparar uma jovem que se achava em perigo, mas em breve regressa a mulher, exclamando que a criatura mencionada podia ser vista numa festa desregrada, em repulsiva condição moral.


E assim sobre variados pretextos, atravessou a semana inutilmente.
Todavia, procurou novamente o anjo para solicitar-lhe serviço.


Ouviu dele a exortação de que se fizera merecedora:
- Minha irmã, continue, por enquanto desenvolvendo seu esforço nas vulgaridades da Terra.
- Oh! e por que? - indagou, perplexa - Não mereço trabalho na vida mais alta?
- Seus olhos estão cheios de malícia - elucidou o anjo, tolerante - , e, para servir ao Senhor, o servo do bem purifica o escândalo, com amor e silêncio, sem se escandalizar. Quem se demora na contemplação do mal, não está em condições de fazer o bem.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A AMIZADE


Crianças, vou lhes contar, um caso que aconteceu entre o cavalo e o burro: Um vive, o outro morreu!


Eles eram dois amigos que tinham um só patrão, e carregavam de tudo, de pedras a algodão! O cavalo era meigo, de tocar o coração, já o burro, veja só! É que era espertalhão.


Um belo dia seu dono sem dó e nem piedade, pôs-lhes carga bem pesada e os levou à cidade.
Mas o dono, estranhamente, fez o que não se deve. Pôs no cavalo o pesado, e pôs no burro o mais leve. E lá se foram os dois num passo bem apertado, quando o cavalo parou bem suarento e cansado.
- "amigo" - disse ao burro, "Pela nossa amizade gostaria que levasses da nossa carga a metade!"
- "E tu pensas que eu sou burro?" - disse o burro espertalhão "Não tenho culpa de nada, A culpa é do patrão!"


- "Mas não estou suportando! Não sei se vou agüentar! E dividindo a carga, nenhum de nós vai cansar!"
- "E tu pensas que sou louco de carregar tua carga?"


O cavalo então, chorou uma lágrima amarga.
E seguiram seu caminho. O burro ia lá na frente, e o cavalo cá atrás, quase já inconsciente.
E depois de muitas horas forçando a caminhada chegaram ao pé de um morro onde subia a estrada.


O burro cantarolava. Enquanto o cavalo infeliz suando resfolegava, o burro estava feliz. Mas, quando o burro já ia a bom trecho da subida, o cavalo, num relincho, tombou e rolou, sem vida!


O dono, ao ver aquilo, soltou um tremendo urro, e transferiu toda a carga para o lombo do burro.


Por isso, minhas crianças, cuidem bem do amiguinho, pois quem cuida dos amigos jamais acaba sozinho!